
A prisão do pastor David Gonçalves Silva, apontado pela Polícia Civil como líder de um esquema de abusos físicos, psicológicos e sexuais contra fiéis, ganhou novos desdobramentos após a Justiça do Maranhão converter a detenção em prisão preventiva. Ele foi capturado na última sexta-feira (17), no município de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís, em uma operação que encerrou dois anos de investigação.
No momento da abordagem, o delegado responsável pelo caso, Sidney Oliveira, afirmou ter encontrado o suspeito dormindo com outro homem. A circunstância foi registrada pela polícia, mas não é, por si só, objeto central das acusações, que envolvem crimes graves em apuração.
De acordo com a Polícia Civil, o pastor é investigado por estelionato, estupro de vulnerável e posse sexual mediante fraude. As investigações apontam que ele utilizava a Igreja Shekinah House Church como instrumento para exercer controle sobre os fiéis, impondo um sistema de punições físicas e psicológicas.
Pelo menos 25 chicotadas nos fiéis
Segundo o delegado, ao menos seis vítimas já foram identificadas até o momento, incluindo pessoas nos estados do Pará e do Ceará. A apuração indica que cerca de 150 fiéis estariam sob influência direta do líder religioso, submetidos a regras rígidas e, em alguns casos, a castigos considerados violentos.
Entre as práticas relatadas pelas vítimas está a aplicação de punições físicas, como sessões de chicotadas — que poderiam chegar a pelo menos 25 golpes — em casos de descumprimento de normas internas ou questionamento da autoridade do pastor. Além disso, há denúncias de que parte dos seguidores teria sido coagida a manter relações sexuais, sob justificativas de cunho religioso ou espiritual.
Métodos de Controle e Abusos Relatados
A Polícia Civil trata o caso como um possível esquema de manipulação psicológica associado a abuso de poder religioso, no qual as vítimas teriam sido levadas a acreditar que as práticas impostas faziam parte de um processo de purificação ou disciplina espiritual.
Prisão Preventiva e Avanço das Investigações
Com a conversão da prisão preventiva, David Gonçalves Silva deverá permanecer detido enquanto as investigações avançam. A polícia não descarta a existência de novas vítimas e segue colhendo depoimentos para aprofundar o alcance das acusações.


