
O caso do procurador Giulian Salvador de Lima Regis ganhou grande repercussão após o servidor público ser esfaqueado na terça, 19, pelo companheiro em Cotia, na região metropolitana de São Paulo. Aos 30 anos, o procurador da capital paulista carrega uma trajetória marcada por tragédias familiares, dificuldades financeiras e uma ascensão considerada impressionante no universo dos concursos públicos.
Além de atuar como procurador do município de São Paulo desde 2024, Giulian também trabalha como professor em cursos preparatórios. Conhecido entre alunos e colegas pelo desempenho fora da curva em provas, ele passou a ser chamado de “gênio dos concursos” após acumular aprovações em diferentes seleções públicas pelo país.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Cotia, o procurador segue internado em um hospital estadual após sofrer golpes no tórax, no pescoço e no braço. O quadro clínico é estável. Já o suspeito do crime, identificado como Gabriel Conceição Costa, de 19 anos, continua foragido.
A história de Giulian começou a mudar ainda na infância. O procurador perdeu a mãe em 2002. Depois, em 2010, o pai também morreu. Criado pela avó e pela irmã mais velha, ele voltou a enfrentar outra perda em 2011, quando a avó faleceu. Anos depois, em 2017, a irmã também morreu.
Dificuldades e virada
Em relato publicado nas redes sociais, Giulian contou que chegou a “morar na escola e depois na faculdade” após perder os familiares. Mesmo diante das dificuldades, ele conseguiu concluir o curso de Direito em uma universidade federal, em 2020. Na época, vivia em um cortiço e dependia do auxílio emergencial pago durante a pandemia da Covid-19.
A virada veio em 2022. Giulian conquistou o 10º lugar no concorrido concurso para delegado em Minas Gerais, que teve cerca de 24 mil candidatos. Depois disso, acumulou aprovações em concursos para procurador até assumir uma vaga na Prefeitura de São Paulo.
A Polícia Civil investiga o caso como tentativa de homicídio e também apura suspeita de fraude processual. Os investigadores acreditam que o suspeito possa ter alterado a cena do crime após o ataque.
O pai do suspeito foi quem encontrou o procurador ferido e acionou socorro. Em depoimento, ele afirmou ter visto Giulian enrolado em uma toalha e com marcas de sangramento pelo corpo. A motivação do crime ainda é investigada pelas autoridades.


