
A execução do empresário colombiano Ivan Adel Goias de Los Rios, ocorrida na madrugada deste sábado, 16, em Belém, ampliou o mistério em torno do desaparecimento de um piloto, de uma aeronave e de outro homem no oeste do Pará. O nome do empresário já aparecia nas investigações conduzidas pela Polícia Civil sobre o sumiço registrado desde março deste ano.
Segundo as primeiras informações, Ivan Adel foi morto a tiros no bairro do Umarizal, enquanto estava em um veículo Hyundai Creta cinza. O crime ocorreu na rua Oliveira Belo, esquina com a travessa Alcindo Cacela. Criminosos armados teriam se aproximado em dois carros pretos, um Chevrolet Tracker e um Volkswagen Gol, e efetuado vários disparos contra o empresário. Ele morreu ainda no local, antes da chegada do socorro.
Ivan Adel era apontado como proprietário da empresa Metta Transportes e Construção Naval Ltda, registrada em Manaus e com atuação nos setores de transporte e aviação. Além disso, segundo investigações divulgadas pelo site O Antagônico, ele também seria o dono da aeronave modelo Baron que desapareceu no Pará junto com o piloto João Vitor de Lima Franco, de 25 anos, e o amazonense Marcio Clay Gomes da Silva Júnior.
O desaparecimento começou a ser investigado após João Vitor viajar de Ribeirão Preto, em São Paulo, para Belém, no dia 10 de março de 2026. O piloto teria sido contratado para conduzir a aeronave até a região de Itaituba, no sudoeste do Pará. Antes da viagem, o grupo permaneceu hospedado em um apartamento alugado no bairro da Pedreira, na capital paraense.
De acordo com as apurações, Ivan Adel teria financiado despesas de hospedagem do grupo durante a permanência em Belém. O empresário também prestou depoimento à Divisão de Homicídios no dia 14 de abril, depois de ser localizado por um detetive particular contratado pela família do piloto desaparecido.
Outro detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de Ivan Adel ter registrado o desaparecimento da aeronave apenas por meio de uma delegacia virtual. A situação passou a ser considerada incomum diante da gravidade do caso e das circunstâncias envolvendo o sumiço do avião.
O último contato do piloto João Vitor com a família ocorreu no dia 14 de março. Na ocasião, ele enviou uma foto para a mãe na Fazenda Sol Nascente, localizada na zona rural de Itaituba. Depois disso, não houve mais comunicação. A Polícia Civil acredita que a aeronave chegou à fazenda antes do desaparecimento do piloto e do passageiro.
As investigações também identificaram a participação do mecânico de aeronaves Daniel Sobrinho Pires Filho, de 25 anos, natural de Goiânia. Ele teria sido responsável pela revisão do avião em Belém antes da viagem para o interior do Pará. Após concluir o serviço, retornou para Goiás.
Outro ponto investigado é a relação pessoal de João Vitor com o Pará. O piloto já havia vivido um relacionamento com uma jovem de Belém, atualmente grávida de sete meses, que também prestou depoimento às autoridades durante as investigações.
Agora, a morte de Ivan Adel adiciona um novo capítulo ao caso, considerado complexo pela Polícia Civil devido à rede de personagens, deslocamentos entre estados e conexões internacionais. Os investigadores tentam descobrir se a execução do empresário possui relação direta com o desaparecimento da aeronave e das duas pessoas que seguem sem paradeiro conhecido desde março.
A Divisão de Homicídios continua colhendo depoimentos e analisando imagens de câmeras de segurança da área onde o empresário foi executado. Até o momento, ninguém foi preso.


