O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) obteve a pronúncia do policial militar acusado de matar a namorada, a estudante de nutrição Bruna Meireles Corrêa, de 32 anos, em um caso de feminicídio ocorrido em março de 2025, em Belém. Com a decisão da Justiça, o réu será submetido a julgamento pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida. Além disso, a prisão preventiva do acusado também foi mantida.
O caso foi acompanhado pela 1ª Promotoria de Justiça de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Belém. Esta promotoria é conduzida pela promotora de Justiça Darlene Rodrigues Moreira. Houve atuação integrada com a Polícia Civil durante toda a investigação. A Corregedoria da Polícia Militar também acompanha o caso.
Segundo a denúncia apresentada pelo MPPA, o crime aconteceu dentro do veículo do acusado, em via pública, após um desentendimento entre o casal. Bruna foi atingida com um tiro na cabeça e chegou a ser socorrida para uma unidade de saúde, mas não resistiu aos ferimentos.
Controlador e ciumento: quem é o acusado
As investigações apontaram que o relacionamento era marcado por comportamento controlador, ciúmes excessivos e isolamento social imposto à vítima. Testemunhas ouvidas durante a instrução relataram mudanças no comportamento de Bruna ao longo da relação, além de episódios de controle emocional.
Para esclarecer a dinâmica do crime, foram realizadas diversas perícias técnicas consideradas fundamentais pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Entre os exames produzidos estão laudo necroscópico, exame balístico, levantamento do local do crime, perícia genética na arma de fogo e reprodução simulada dos fatos. Parte das diligências foi acompanhada diretamente pelo promotor de Justiça Danyllo Maués Pompeu Colares

Os laudos concluíram que o disparo ocorreu a curta distância e descartaram qualquer hipótese de falha mecânica da arma utilizada. A perícia genética também identificou material biológico masculino em partes essenciais do armamento, reforçando a ligação direta do acusado com o disparo.
A reprodução simulada teve papel decisivo na investigação. De acordo com os peritos, a versão apresentada pelo policial militar era incompatível com os vestígios encontrados no veículo. Também não era compatível com a trajetória do projétil e com os ferimentos identificados na vítima. O estudo técnico concluiu que o disparo foi efetuado pelo acusado.
Outro elemento importante da investigação foi a análise pericial dos aparelhos celulares. Mesmo após a exclusão de mensagens, os investigadores conseguiram recuperar conversas consideradas relevantes para contextualizar a relação entre o casal. Além disso, foram identificados indícios de violência de gênero.
Ao analisar o processo, a Justiça reconheceu a existência de materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, determinando que o caso seja levado ao Tribunal do Júri. A decisão representa mais um desdobramento de um crime que gerou forte repercussão em Belém. Além disso, reacendeu o debate sobre feminicídio e violência contra a mulher no Pará.
Quem era a vítima

Bruna Meireles era estudante de Nutrição na Universidade da Amazônia (Unama) e residia em Belém há 10 anos. Natural de Colares, cidade localizada no nordeste do estado, ela morava com o pai e, na capital, vivia na casa de seu padrinho. Ela mantinha um relacionamento com o suspeito há cerca de um ano. Segundo relatos de familiares e amigos da vítima, ela estava sendo oprimida nesse relacionamento, a ponto de ter abandonado suas contas nas redes sociais para atender aos pedidos do acusado, isolando-se até de seus familiares.


