A operação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho colocou no centro das investigações a família do rapper Oruam, apontada como parte de uma engrenagem que vai da liderança histórica da facção à movimentação financeira fora do sistema prisional. O artista, a mãe Márcia Gama e o irmão Lucca Nepomuceno não foram localizados e são considerados foragidos.
O principal nome desse núcleo familiar é Márcio dos Santos Nepomuceno, pai do cantor, apontado pelas autoridades como uma das lideranças mais influentes da organização criminosa. Mesmo preso há anos, ele segue citado em investigações como figura com capacidade de articulação dentro da facção.
A mãe do artista, Márcia Gama Nepomuceno, aparece nas apurações como peça estratégica na comunicação externa do grupo. Segundo a polícia, ela atuaria como intermediária entre integrantes presos e operadores financeiros, além de ter ligação com a movimentação de recursos provenientes do tráfico. Márcia já havia sido alvo de investigações anteriores e chegou a ser beneficiada por habeas corpus em uma fase anterior da apuração, mas voltou a ser alvo com o avanço das investigações.

Grupo usava contas de terceiros
O irmão de Oruam, Lucca Nepomuceno, também integra a lista de investigados. Ele é citado como possível participante no esquema de ocultação de patrimônio e circulação de valores, embora detalhes sobre sua atuação específica não tenham sido integralmente divulgados.
As investigações indicam que o grupo utilizava contas de terceiros, empresas e operadores financeiros para lavar dinheiro do tráfico de drogas, dificultando o rastreamento dos recursos e permitindo a aquisição de bens. A polícia também identificou conexões entre integrantes da facção e outros grupos criminosos, além de diálogos que reforçam a permanência da influência de Marcinho VP na estrutura do Comando Vermelho.
O próprio Oruam já figurava no radar das autoridades antes da operação mais recente. Ele é considerado foragido desde fevereiro de 2026, após descumprir medidas judiciais relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica em um processo por tentativa de homicídio.
Para os investigadores, o caso evidencia um padrão recorrente no crime organizado: o uso de familiares para manter a estrutura ativa, especialmente nas áreas financeira e de comunicação, mesmo com lideranças presas. A ofensiva integra a Operação Contenção, que mira justamente o enfraquecimento desses mecanismos de sustentação da facção criminosa.


