
A Polícia Federal deflagrou, nesta terça, 26, a Operação Palanque Digital para investigar um suposto esquema de uso de recursos públicos da Prefeitura de Macapá para financiar uma estrutura de desinformação política, autopromoção eleitoral e ataques contra adversários. A ofensiva policial também alcançou Belém, onde mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados aos investigados.
Segundo a PF, a investigação aponta que contratos de publicidade institucional, estimados em cerca de R$ 25 milhões, teriam sido desviados de sua finalidade original para custear influenciadores digitais, veículos de comunicação e empresas responsáveis pela produção e disseminação de conteúdos político-eleitorais.
As diligências ocorreram em Macapá (AP), Belém (PA) e Canela (RS). Ao todo, foram expedidos 35 mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça Eleitoral do Amapá. A Polícia Federal apura possíveis crimes eleitorais, lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra a administração pública.
As investigações também identificaram o uso de inteligência artificial e ferramentas de deepfake para criação de vídeos, imagens e áudios manipulados utilizados em campanhas digitais contra adversários políticos. Há ainda suspeitas de conteúdos ofensivos e discriminatórios disseminados pela rede investigada.
Entre os principais alvos da operação está o ex-prefeito de Macapá, Dr. Antônio Furlan (PSD), pré-candidato ao governo do Amapá. A PF suspeita que a estrutura teria atuado durante sua gestão municipal. Além dele, influenciadores, jornalistas, ex-secretários municipais, empresários e uma agência de publicidade aparecem entre os investigados.
Quem são os envolvidos?
Até o momento, porém, a Polícia Federal não divulgou oficialmente os nomes dos investigados em Belém nem detalhou quais pessoas ou empresas paraenses são alvo direto da operação. As informações disponíveis indicam apenas que os mandados no Pará atingiram comunicadores, blogueiros, influenciadores e veículos de comunicação supostamente ligados à rede investigada.
Em manifestação divulgada nas redes sociais, Dr. Furlan negou participação em qualquer esquema ilegal e afirmou repudiar práticas de disseminação de notícias falsas. Ele declarou estar à disposição da Justiça para colaborar com as investigações.


