
Pará – A facção investigada pela Polícia Federal revela um esquema de grande escala que envolve agentes públicos e movimentou cerca de R$ 40 milhões em apenas três anos, tendo como principal articulador o guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia, atualmente foragido e apontado como líder da organização criminosa.
De acordo com as investigações, o grupo operava com forte atuação no Norte do país, especialmente com base no Pará, de onde partiam cargas de drogas destinadas ao Amapá e outras regiões. A estrutura incluía o uso de balsas e estratégias para driblar a fiscalização, com entorpecentes escondidos em sucatas e até eletrodomésticos.
O esquema contava ainda com a participação direta de policiais militares e guardas municipais, que atuavam tanto na logística do tráfico quanto na lavagem de dinheiro. Em alguns casos, segundo a Polícia Federal, os próprios agentes públicos funcionavam como “aviõezinhos do tráfico”, transportando drogas entre estados e auxiliando na distribuição.
Posição de comando
As apurações indicam que Pedro não era apenas integrante, mas ocupava posição de comando dentro da facção Família do Terror do Amapá (FTA), coordenando as operações e utilizando familiares e terceiros como “laranjas” para ocultar a origem dos recursos ilícitos. Um desses operadores chegou a movimentar sozinho cerca de R$ 5 milhões.
Outro ponto que chama atenção na investigação é o envolvimento do grupo em crimes violentos. Há indícios de participação em assaltos e até homicídios ligados à organização. Em um dos episódios, após um roubo a embarcação no Pará, o próprio guarda teria afirmado que conseguiu “burlar o sistema”, segundo registros obtidos pela investigação.
Operação Abadon e prisões
A operação policial, batizada de Abadon, cumpre 118 mandados judiciais em seis estados e já resultou na prisão de policiais militares e outros investigados. No entanto, o principal alvo segue foragido, e a polícia apura inclusive a possibilidade de vazamento de informações que teria facilitado sua fuga antes das ações.
As investigações começaram em 2023, após a prisão de um integrante da facção no Pará, o que permitiu às autoridades mapear a estrutura do grupo, que envolve tráfico interestadual, lavagem de dinheiro e infiltração em forças de segurança pública.
Desafios e implicações
O caso expõe não apenas a atuação do crime organizado na região Norte, mas também o desafio das autoridades diante da infiltração de agentes públicos em esquemas criminosos, ampliando a gravidade e o alcance da investigação.


