
A Justiça de São Paulo negou o pedido de urgência para soltar o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, acusado de matar a esposa e também policial militar, Gisele Alves Santana, de 32 anos. O magistrado Cesar Augusto Andrade de Castro, da 9ª Câmara de Direito Criminal, decidiu que a solicitação deve ser avaliada pelo colegiado, mantendo a prisão preventiva decretada em 18 de março.
O oficial é investigado não apenas pelo feminicídio, mas também por fraude processual. Este é o segundo revés jurídico da defesa em poucos dias, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também rejeitar um pedido de liberdade na última sexta-feira (20). O advogado do militar ressaltou que aguarda o julgamento do mérito para realizar a sustentação oral em busca da soltura do cliente.
Reviravolta no caso Gisele Alves Santana
O caso, ocorrido no bairro do Brás, na região central de São Paulo, foi inicialmente registrado como suicídio, mas a investigação deu uma reviravolta após laudos periciais. Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça, porém a perícia identificou lesões no pescoço e rosto compatíveis com pressão de dedos e marcas de unha, indicando luta corporal antes do disparo.
Outro ponto crucial foi o depoimento de um socorrista, que estranhou o posicionamento da arma e o fato de o marido alegar que estava no banho no momento do disparo, embora estivesse completamente seco e não houvesse marcas de água pelo imóvel. As autoridades buscam esclarecer as circunstâncias da morte e a possível alteração da cena do crime para simular o suicídio da soldado.
Investigação e acobertamento
Além das inconsistências no local, a investigação aponta uma possível rede de acobertamento. Câmeras de segurança registraram o tenente-coronel retirando objetos do apartamento pouco após o ocorrido, e testemunhas relataram que três policiais femininas estiveram no imóvel para realizar uma limpeza antes da perícia completa.
Gisele e Geraldo eram casados há dois anos, e vizinhos detalharam um relacionamento conturbado às autoridades. O oficial segue custodiado enquanto o processo avança para a fase de instrução, sendo um dos casos de maior repercussão envolvendo a alta cúpula da Polícia Militar paulista. A manutenção da prisão é vista pelo Ministério Público como essencial para evitar novas interferências nas provas e garantir a segurança das testemunhas do caso.


