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23 de março de 2026
em Policial
Reading Time: 3 mins read
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As imagens das câmeras corporais dos policiais militares que atenderam a ocorrência da morte da soldado Gisele Alves Santana revelaram contradições profundas no relato do tenente-coronel Geraldo Neto. O crime, ocorrido em 18 de fevereiro no bairro do Brás, centro de São Paulo, ganha novos contornos com o vídeo que mostra o oficial da reserva, sem camisa e sentado no chão, alegando que a esposa teria cometido suicídio após uma discussão sobre separação.

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No depoimento gravado no local, o coronel afirmou que estava no banho quando ouviu o disparo e que, ao abrir o box, visualizou o corpo da mulher caído na sala. Entretanto, o inquérito policial obtido pelo portal Metrópoles aponta que uma árvore de Natal obstruía totalmente a visão do banheiro para o ponto onde Gisele estava, desmentindo a capacidade de visualização descrita pelo suspeito.

A perícia técnica destacou que fotos tiradas pelos primeiros socorristas confirmam que o objeto decorativo só foi removido posteriormente para abrir espaço ao atendimento, invalidando a tese de Geraldo Neto de que a própria vítima teria deslocado a árvore antes do tiro. Outro ponto crítico da investigação envolve o uso da posição hierárquica para obstruir o trabalho pericial.

As gravações mostram que os agentes presentes orientaram o coronel a não tomar banho para preservar possíveis resíduos de pólvora e outras evidências, mas o oficial ignorou as ordens, usando sua antiguidade e autoridade para impor sua vontade e lavar-se novamente. Essa conduta foi citada pela Justiça Militar como um ato de dominação que o suspeito já exercia habitualmente contra a esposa, a quem ele menosprezava e monitorava constantemente no ambiente de trabalho.

Denúncias de intimidação e abuso de autoridade

Testemunhas ouvidas no processo relataram que o tenente-coronel utilizava seu prestígio na corporação para intimidar a soldado, proibindo-a de trabalhar com homens e proferindo frases humilhantes sobre a diferença de patentes entre os dois.

Além disso, vizinhos afirmaram à polícia que o barulho do disparo foi ouvido cerca de 30 minutos antes de o oficial acionar o socorro, o que sugere um tempo considerável de omissão ou manipulação da cena. O histórico do militar também pesa contra ele, já que possui condenação anterior por abuso de autoridade contra uma subordinada em 2022.

Indícios de feminicídio e fraude processual

Com a soma das evidências audiovisuais e periciais, a versão de suicídio perde força diante dos indícios de feminicídio e fraude processual, mantendo o oficial sob custódia enquanto o caso avança nos tribunais.

Relembre o caso:

A morte da policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, desencadeou uma sequência de investigações que culminaram na prisão do tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, seu marido. A vítima foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento onde o casal vivia, no bairro do Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e encaminhada pelo helicóptero Águia ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos, provocados por um disparo de arma de fogo que resultou em traumatismo cranioencefálico.

Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio consumado, mas a classificação foi alterada para morte suspeita após surgirem dúvidas sobre a versão apresentada. Com o avanço das perícias e a reconstituição dos fatos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não era compatível com a hipótese de suicídio. Diante das evidências técnicas, o tenente-coronel passou a ser apontado como principal suspeito pela morte da esposa.

No dia 17 de março, a Polícia Civil solicitou à Justiça a prisão preventiva do oficial, com base nos elementos reunidos pela investigação. A medida foi acatada pela Justiça Militar de São Paulo no dia 18 de março, quando o tenente-coronel foi preso em um condomínio residencial em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. No dia seguinte, 19 de março, o Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou a decisão, mantendo a prisão preventiva do militar no curso do processo.

FONTE: Diario do Pará

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