
A reativação do perfil atribuído à “Japinha do CV” caiu como uma bomba nas redes sociais. Depois de dias de boatos sobre sua morte, o suposto retorno da mulher, conhecida por sua ligação com o crime organizado, mostrou que no Brasil a fama vale mais do que qualquer reputação — viva, morta ou procurada.
A conta, que já ultrapassa meio milhão de seguidores, foi identificada como o “perfil oficial” da figura que muitos acreditavam estar enterrada. Em um vídeo curto, ela aparece afirmando que só aquele é seu verdadeiro perfil e que todos os outros são “fakes”.
Bastou isso para incendiar a internet: comentários, teorias e memes tomaram conta das timelines. Para uns, foi a prova de que Japinha “voltou”; para outros, só mais um capítulo de um espetáculo trágico, onde a linha entre notícia e entretenimento se dissolveu há muito tempo.
A Confusão em Torno da Identidade de Japinha do CV
A história começa durante a operação policial no Complexo do Alemão e na Vila da Penha, no Rio de Janeiro, quando uma foto de um corpo desfigurado, atribuída a ela, correu as redes. Sites e perfis de notícias publicaram a imagem como sendo de Japinha do CV. Mas uma checagem posterior revelou que o corpo era de Ricardo Aquino dos Santos, um traficante baiano de 22 anos.
A lista oficial de mortos divulgada pela polícia só trazia nomes masculinos — o que, na prática, deixava o destino da chamada “musa do crime” em aberto. Enquanto isso, vídeos, áudios e perfis pipocavam afirmando que ela estava viva. O enredo era perfeito para o algoritmo: violência, mistério e fama, tudo num só pacote.
A Musa do Crime na Era das Curtidas
Japinha do CV virou uma espécie de personagem símbolo da era em que o crime também quer curtidas. Apelidada pela imprensa de “musa do crime”, ganhou atenção não apenas pelo envolvimento com o Comando Vermelho, mas pela estética que cultivava: unhas feitas, penteado milimetricamente montado, vídeos dançando e uso de frases de impacto. Os perfis atribuídos a ela passaram a publicar rotinas, desafios de dança, dicas de estilo e até propagandas de jogos online. E o público, ávido por drama e glamour, comprou a imagem sem questionar.
O caso escancara uma verdade incômoda: ser famoso é o que importa — mesmo que seja dentro do crime. A lógica da internet é cruel e simples. A cada curtida, um nome se eterniza. E se antes o sucesso dependia de talento ou mérito, hoje basta existir no caos certo, com o filtro certo, na hora certa. Japinha do CV, viva ou morta, virou ícone de uma geração que transformou o submundo em palco. No fim das contas, o crime pode até não compensar, mas dá engajamento.


