
Pará – O flagra de um caso de importunação sexual durante uma viagem de lancha no arquipélago do Marajó terminou com a condução de um homem à delegacia em Belém, após denúncia feita por passageiros. O episódio ocorreu na manhã da última sexta-feira (10), em uma embarcação que saiu de Cachoeira do Arari com destino à capital paraense.
De acordo com relatos, imagens registradas por um dos passageiros mostram o momento em que o suspeito, um médico identificado como José Lira Sobrinho, aparece fazendo gravações em vídeo de uma jovem de 20 anos sentada ao seu lado. A vítima afirmou, por meio das redes sociais, que estava dormindo durante a viagem quando passou a ser alvo das gravações. “Veio um homem, sentou-se ao meu lado e começou a tirar fotos e gravar vídeos meus, inclusive tentando registrar imagens das minhas partes íntimas”, relatou.
Vítima veio do Marajó a Belém para tratar saúde
Segundo a vítima, ela só percebeu a situação quando uma passageira notou a ação e a acordou. “Meu sono é muito pesado, então só me dei conta quando começou a clarear o dia e uma senhora veio correndo me avisar”, disse. A mulher informou ainda que viajava com a mãe e a filha para tratar questões de saúde em Belém.
Após o desembarque no terminal hidroviário, em Belém, o suspeito foi abordado por agentes de segurança acionados por populares e conduzido à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, onde foi autuado e colocado à disposição da Justiça.
Investigação e consequências Legais
Na unidade policial, o homem teria se apresentado como médico atuante em Cachoeira do Arari. O celular dele foi apreendido para perícia, e testemunhas prestaram depoimento confirmando o ocorrido. A vítima recebeu medidas protetivas, enquanto o procedimento foi instaurado para apurar o caso e definir as responsabilidades legais.
Em manifestação pública, a mulher afirmou esperar que a denúncia incentive outras possíveis vítimas. “Espero que minha atitude sirva para encorajar outras mulheres que possam ter passado por isso a denunciarem”, declarou.
Posicionamento do Conselho Regional de Medicina
O Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM-PA) informou que acompanha o caso. Lira atua em um posto de saúde em Cachoeira do Arari. A prefeitura informou que o caso foi levado para o Ministério da Saúde.
Denunciar assédio sexual envolve reunir provas (mensagens, gravações, testemunhas) e formalizar a queixa em canais internos (RH, ouvidoria) ou externos, como o Ligue 180, Disque 100, delegacias (especialmente DEAM), Ministério Público do Trabalho (MPT) ou sindicatos. Denúncias podem ser anônimas, mas relatos identificados facilitam a investigação.
Como denunciar
- Internos: Ouvidoria da empresa, comitês de ética ou superiores hierárquicos.
- Telefônicos/Online:
- Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher, anônimo e confidencial.
- Disque 100: Direitos Humanos, funciona 24h.
- Plataforma Fala.BR: Plataforma Integrada de Ouvidoria para assédio no setor público.
- Órgãos Públicos:
Como Proceder
- Diga não: Deixe claro o desconforto ao assediador.
- Registre tudo: Anote datas, horários, locais, frases e nomes de testemunhas.
- Colete evidências: Salve prints de conversas, e-mails, presentes ou gravações.
- Denúncia anônima: O MPT e o Disque 100 aceitam denúncias anônimas, embora a identificação ajude na apuração.


