
Em um domingo, 9 de abril de 2023, cerca de 20 criminosos fortemente armados sitiaram o município de Confresa, a mais de mil quilômetros de Cuiabá, em uma ação coordenada que espalhou terror entre os moradores. Parte do grupo invadiu o quartel da Polícia Militar, rendeu agentes e incendiou o prédio público.
Ao mesmo tempo, outras frentes da quadrilha destruíram veículos e estruturas da cidade, bloquearam acessos e mantiveram a população sob ameaça, em um cenário típico de ataques do chamado “novo cangaço”, também conhecido como “domínio de cidades”.
O principal alvo era a empresa de transporte de valores Brinks. Utilizando explosivos de alta potência, os criminosos tentaram arrombar o cofre da unidade, mas não tiveram sucesso e acabaram fugindo às pressas, abandonando veículos, armas e parte do material utilizado na ação.
A ofensiva contou com planejamento prévio, divisão de tarefas e uso de armamento pesado, características que, segundo as investigações, indicam a atuação de uma organização criminosa estruturada, com ramificações interestaduais.
As apurações apontaram que integrantes do grupo já haviam participado de outros ataques semelhantes em diferentes regiões do país, especialmente contra bancos e transportadoras de valores. O modus operandi inclui o uso de reféns como escudos humanos, bloqueio de estradas com caminhões incendiados, monitoramento prévio das forças de segurança e fuga por áreas rurais ou de difícil acesso.
Além disso, as autoridades identificaram que crimes de menor porte eram utilizados como base para financiar as grandes ações e alimentar esquemas de lavagem de dinheiro.
Prisão de Envolvidos no Ataque
Três anos depois, um dos apontados como líderes do ataque foi localizado e preso. Pablo Henrique de Sousa Franco foi capturado na quarta-feira (8), no município de Marabá, durante operação interestadual realizada por policiais civis do Pará e de Mato Grosso. De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, ele atuava a partir de Redenção (PA) e era responsável pelo suporte logístico e intelectual da ação, incluindo planejamento, articulação e apoio à fuga do grupo.
Contra ele havia mandado de prisão preventiva pelos crimes de roubo majorado, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Na mesma operação, também foi preso Josivan Pereira da Silva, investigado pelos mesmos delitos. Até o momento, não há detalhamento oficial sobre a participação direta dele no ataque, e seu nome não aparece como réu no processo que descreve o núcleo logístico atribuído a Pablo.
As investigações avançaram ainda nesta quinta-feira (9), com a prisão de outro suspeito no município de Novo Repartimento. Oziel Valério da Silva foi capturado durante a terceira fase da Operação Pentágono e é apontado como peça-chave da organização criminosa especializada na modalidade de “domínio de cidades”. Segundo as autoridades, ele teve participação direta no ataque em Confresa e integra o núcleo operacional do grupo, responsável pela execução das ações armadas.
A operação que resultou nas prisões faz parte de um esforço contínuo das forças de segurança para desarticular a quadrilha, considerada uma das mais organizadas e violentas em atuação no país. As investigações seguem em andamento para identificar outros envolvidos e mapear toda a estrutura financeira e logística do grupo criminoso.


