Os laudos da Polícia Científica de São Paulo confirmaram que a policial militar Gisele Alves não estava grávida e não foi dopada, mas que havia mais manchas de sangue da soldado espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morreu.
Esse é um dos desdobramentos das investigações sobre a morte da policial, dentro do apartamento, em 18 de fevereiro. A suspeita é que o marido dela, o tenente-coronel Geraldo Neto, cometeu feminicídio.
De acordo com o G1, a perícia utilizou o luminol — reagente químico que indica a presença de sangue invisível a olho nu — e encontrou manchas no box do banheiro e em outros cômodos da residência. O corpo de Gisele foi encontrado em outro local do apartamento.
Sinais de agressão
A investigação aponta que a versão de suicídio sustentada por Geraldo apresenta inconsistências. Segundo o UOL, o exame necroscópico aponta marcas de dedos e unhas no pescoço de Gisele, indicando que ela foi asfixiada ou contida antes de morrer. Os peritos concluíram que a soldado chegou a desmaiar antes de receber o tiro na cabeça.
Outro ponto foi a trajetória do projétil: o disparo foi efetuado de baixo para cima, com o cano da arma encostado na cabeça da vítima. Segundo o G1, socorristas que atenderam a ocorrência também estranharam o fato de a pistola ainda estar na mão de Gisele, algo considerado incomum em casos de suicídio.
“Macho alfa”
As mensagens extraídas do celular do tenente-coronel revelam que 13 dias antes do crime, Gisele confrontou o marido via WhatsApp: “Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”.
Geraldo Neto se descrevia como um “macho alfa” e exigia que a esposa fosse uma “fêmea beta obediente e submissa”. Ele controlava a rotina da soldado, proibindo o uso de batom e roupas justas. Em uma das mensagens, o oficial chegou a cobrar sexo por ser o “provedor” do lar. “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”, disse Gisele.
Próximos passos
Atualmente, Geraldo Neto é réu por feminicídio e fraude processual. Ele é acusado de manipular a cena do crime, esconder o estojo da bala e tomar banho para eliminar vestígios de pólvora antes da chegada da perícia.
Se condenado, o oficial poderá enfrentar uma pena de até 40 anos de reclusão. O Ministério Público também solicitou uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares da soldado. O oficial permanece detido no presídio militar Romão Gomes enquanto o processo avança na Justiça.
Com informações de G1 e UOL


