
A mãe da policial militar Gisele Alves Santana afirmou que se sentiu aliviada após a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito pela morte da própria esposa, em São Paulo. Em entrevista, Marinalva Alves disse estar “aliviada só de ver esse monstro preso” e declarou que, mesmo com o coração partido pela perda da filha, sentiu que a Justiça começou a ser feita ao ver o oficial detido.
Apesar do alívio, a mãe reforçou que ainda vive um sofrimento profundo. Ela disse que nunca acreditou na versão de suicídio apresentada pelo tenente-coronel e que sempre teve certeza de que a filha não tiraria a própria vida. “Eu tinha certeza que tinha sido ele”, afirmou. A família também espera que a Justiça mantenha o suspeito preso e que ele nunca seja solto.
O tenente-coronel está preso desde o dia 18, acusado de feminicídio e fraude processual, após suspeitas de que teria alterado a cena do crime. Durante audiência de custódia realizada no Presídio Romão Gomes, ele voltou a sustentar que a esposa se suicidou com um tiro na cabeça. Mesmo assim, a investigação aponta que ele teria cometido o crime por não aceitar o fim do relacionamento.
Relatos da família e de testemunhas indicam que o relacionamento era marcado por conflitos e controle. A mãe da vítima afirmou à polícia que a convivência era “extremamente conturbada” e que o oficial apresentava comportamento abusivo e violento. Segundo ela, o marido proibia Gisele de usar batom, salto alto e perfume, além de cobrar rigorosamente tarefas domésticas e exercer pressão constante dentro de casa.
O caso ganhou novos desdobramentos após a exumação do corpo da policial. A perícia identificou lesões contundentes na face e na região do pescoço, compatíveis com agressões provocadas por dedos e unhas. Os peritos também apontaram escoriações e sinais de violência que reforçam a suspeita de que houve agressão antes do disparo. Exames complementares ainda analisam a possibilidade de outras lesões.
Investigação e desdobramentos do caso
Além disso, uma denúncia anônima registrada em um Inquérito Policial Militar indicou que o tenente-coronel apresentava instabilidade emocional e comportamento persecutório. Segundo o relato, ele perseguia, intimidava e ameaçava a companheira de forma recorrente. A Corregedoria da Polícia Militar instaurou investigação interna poucos dias após a morte da soldado para apurar a conduta do oficial.
Gisele Alves Santana foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, no bairro do Brás, região central da capital paulista. Ela foi socorrida em estado grave e levada ao Hospital das Clínicas, mas morreu poucas horas depois. O caso foi registrado inicialmente como suicídio consumado, mas a Polícia Civil alterou a classificação para morte suspeita após novos depoimentos e evidências apresentadas pela família.
Em depoimento, o tenente-coronel afirmou que entrou no quarto da esposa por volta das 7h para dizer que queria se separar. Segundo ele, a policial reagiu de forma exaltada, mandou que ele saísse do local e bateu a porta. O oficial relatou que, logo depois, entrou no banho e ouviu um barulho que imaginou ser uma porta batendo. Ao verificar o que havia ocorrido, disse ter encontrado a esposa caída no chão, ferida na cabeça e segurando a arma.
Ele declarou que acionou o resgate, a Polícia Militar e entrou em contato com um amigo que é desembargador. Em entrevistas posteriores, o suspeito negou ter cometido o crime e afirmou que tem a consciência tranquila. “As pessoas têm inventado coisas, estou sendo atacado impiedosamente por inverdades. Não tenho nada para inventar ou mentir, trabalho com a verdade”, disse.
Reação da defesa e andamento do processo
A defesa do tenente-coronel afirmou estar “estarrecida” com a manutenção da prisão preventiva e declarou que o cliente colabora com as autoridades desde o início das investigações. O advogado também criticou a divulgação de informações sobre a vida privada do acusado e informou que estuda apresentar pedido de habeas corpus na Justiça comum.
O processo segue sob sigilo judicial. A Justiça encaminhou o caso para a Vara do Tribunal do Júri, responsável por julgar crimes contra a vida, como homicídio e feminicídio. A decisão levou em conta a ampla repercussão do episódio e a necessidade de preservar a investigação.
Contexto da violência contra mulheres no Brasil
O crime ocorreu em um contexto de aumento da violência contra mulheres no país. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública apontam que o Brasil registrou recorde de feminicídios em 2025, com 1.470 mulheres assassinadas em um único ano. No estado de São Paulo, foram 270 casos no mesmo período, o maior número desde 2018, o que reforça o alerta das autoridades sobre a gravidade da violência doméstica e a necessidade de mecanismos de proteção às vítimas.
Autoridades reforçam que vítimas de violência podem buscar ajuda por meio da Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia. O serviço oferece orientação, recebe denúncias e encaminha mulheres para atendimento psicológico e proteção. Em situações de risco, a vítima pode solicitar medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.


