
Antes de matar a esposa, o tenente-coronel Geraldo Neto, preso na última quarta-feira, 18, praticou diversas agressões e episódios de violência contra Gisele Santana. É que apontam as investigações que acusam o policial de feminicídio.
Segundo o G1, mensagens trocadas em 6 de fevereiro, 13 dias antes do crime, indicam que o oficial já havia praticado agressão física: “Você sempre caçando um motivo para brigar. Mas você vai ver só. Você enfiou a mão na minha cara ontem. Gritou comigo hoje”, diz Gisele.
Em outras mensagens, Geraldo se considerava um “macho alfa” e exigia que a esposa fosse “fêmea submissa”: “Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa. Com amor, carinho, atenção e autoridade de Macho Alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa. Como toda mulher casada deve ser”.
Segundo o UOL, o coronel proibia Gisele de usar batom, salto alto e até de cumprimentar outros homens com beijos ou abraços. Ele justificava o autoritarismo pelo fato de ser o “único provedor do lar” e chegava a cobrar sexo em troca do sustento: “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”.
Resistência de Gisele
Em resposta às cobranças, Gisele ela foi enfática: “Por mim separamos, não vou trocar sexo por moradia e ponto final”. Porém, Geraldo continuava com ofensas, chamando-a de “burra” e “estúpida”.
Quando a esposa dizia que se sentia “praticamente solteira”, ele respondia de forma possessiva: “Jamais! Nunca será!”. Ele chegou a vigiar o trabalho da soldado na seção da PM por horas, o que ela classificou como um comportamento “babaca e sem escrúpulos”.
Desdobramentos
A investigação aponta que Geraldo Neto tentou simular um suicídio após atirar na cabeça da esposa. Segundo o UOL, laudos periciais e a exumação do corpo desmentem a versão do oficial, apontando marcas de dedos e unhas no pescoço da vítima, indicando que ela foi asfixiada ou contida antes do disparo.
Além disso, o oficial é acusado de fraude processual. Ele teria tomado banho para eliminar vestígios de pólvora e colocado a arma na mão de Gisele para enganar a perícia. Geraldo Neto tornou-se réu e está detido no presídio militar.
O Ministério Público pede uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares de Gisele. Se condenado, pode enfrentar uma pena de até 40 anos de reclusão, conforme a nova legislação de feminicídio de 2024.
Com informações do G1 e UOL


