
O assassinato de Priscila Ribeiro Version, de 22 anos, moradora da Zona Norte de São Paulo, expõe novamente a escalada preocupante dos casos de feminicídio no Brasil. A jovem vivia na Brasilândia e foi morta na madrugada de segunda-feira (23), em um crime que gerou forte comoção não apenas pela brutalidade, mas também por um detalhe doloroso: Priscila era amiga próxima de Tainara Souza Santos, que morreu em dezembro de 2025 após ser atropelada e arrastada na Marginal Tietê.
A jovem morta tinha 3 filhos com o assassino, vivia uma relação abusiva e já tinha sido agredida por ele. Priscila foi espancada na madrugada de segunda (23) após sair de uma festa. O companheiro dela foi preso em flagrante por feminicídio. Duas jovens, duas vidas interrompidas de forma violenta em menos de três meses.
Segundo a investigação, Priscila foi espancada pelo companheiro, Deivit Bezerra Pereira, de 35 anos, e levada já sem vida ao Hospital Municipal Vereador José Storopoli. A vítima apresentava hematomas, escoriações e sangramento nasal. As roupas tinham forte cheiro de gasolina, o que levantou suspeitas imediatas da equipe médica e da polícia.
Deivit foi preso em flagrante no hospital. Câmeras de segurança registraram o momento em que ele persegue e agride Priscila com chutes antes de colocá-la no carro. As imagens reforçam a materialidade do crime e contradizem a versão apresentada pelo suspeito.
À polícia, ele afirmou que o casal discutiu em um bar e que teria comprado gasolina para tirar a própria vida. Disse ainda que desistiu da ideia e, ao retornar, encontrou Priscila caída. No entanto, vestígios de sangue e um galão de gasolina foram encontrados dentro do veículo, o que fragiliza o relato apresentado.
De acordo com a mãe da jovem, Priscila vivia um relacionamento abusivo e já havia sido agredida anteriormente. Ela trabalhava como autônoma e deixa três filhos pequenos — de 6 anos, 4 anos e um bebê de apenas 6 meses — todos frutos da relação com o agressor.
O caso reacende o debate sobre a violência doméstica e o feminicídio no país. Em muitos casos, os sinais aparecem antes da tragédia: agressões anteriores, ameaças, controle excessivo e histórico de violência. Quando não há intervenção eficaz, o desfecho costuma ser fatal. A morte de Priscila, somada à de sua amiga meses antes, transforma estatísticas em rostos e famílias devastadas — e reforça a urgência de políticas públicas que realmente protejam as mulheres brasileiras.


