A investigação sobre a morte da corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, ganhou novos e impactantes desdobramentos após a Polícia Civil divulgar o vídeo que mostra o momento exato em que ela é atacada pelo síndico do prédio onde morava, em Caldas Novas, no sul de Goiás.
As imagens foram recuperadas do celular da vítima, encontrado dentro de uma tubulação de esgoto do condomínio, onde permaneceu por 41 dias. O aparelho foi localizado no dia 30 de janeiro, após perícia no prédio e indicação do próprio suspeito, Cléber Rosa de Oliveira, que já estava preso e confessou o crime.
No vídeo, Daiane Alves Souza aparece descendo ao subsolo para verificar uma queda de energia em um dos apartamentos administrados por ela. Enquanto grava as imagens para enviar a uma amiga, a corretora comenta que a energia do imóvel havia sido desligada e menciona a presença do síndico no local. Instantes depois, ela é surpreendida pelas costas.
Segundo a polícia, Cléber já a aguardava usando luvas nas duas mãos e havia posicionado a caminhonete com a capota aberta próxima ao ponto onde pretendia abordá-la, o que reforça a tese de emboscada e premeditação. “Ele estava com luvas nas duas mãos e com a capota aberta. Ele posicionou o carro mais próximo ao local onde pretendia render a Daiane”, afirmou o delegado João Paulo Mendes. Confira o vídeo abaixo – as imagens são fortes:
A corretora estava desaparecida desde o dia 17 de dezembro de 2025, quando desceu ao subsolo do prédio para checar o disjuntor após a falta de energia. A família sempre descartou a hipótese de desaparecimento voluntário, destacando que ela deixou objetos pessoais no apartamento e saiu apenas para resolver um problema pontual.
Prisão e confissão de Cléber Rosa
Mais de 40 dias depois, no dia 28 de janeiro, Cléber Rosa foi preso no próprio condomínio. Na ocasião, ele confessou o assassinato e indicou o local onde havia deixado o corpo, em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros de Caldas Novas.
De acordo com a perícia, Daiane foi morta com dois tiros na cabeça. A arma utilizada foi uma pistola .380 semiautomática. Uma das balas ficou alojada na cabeça da vítima e a outra atravessou pelo olho esquerdo.
Conforme explicou o delegado André Luiz Barbosa, os disparos não ocorreram dentro do prédio. “A perícia mostrou claramente que qualquer disparo dado seria ouvido na recepção do prédio”, declarou. A conclusão é de que ela foi retirada do local e executada fora do condomínio.
Investigação e histórico de conflitos
As investigações também apontaram um histórico de conflitos entre vítima e suspeito. Daiane administrava seis apartamentos pertencentes à família no condomínio, função que anteriormente era exercida pelo síndico.
A mudança teria provocado uma série de desentendimentos que evoluíram para disputas judiciais. Ao todo, são 12 processos envolvendo os dois. Cléber chegou a ser denunciado por perseguição, acusado de usar o sistema de câmeras do prédio para vigiar a corretora e criar obstáculos à sua rotina profissional.
O filho do síndico, Maicon Douglas de Oliveira, chegou a ser preso sob suspeita de ajudar na ocultação de provas, mas a polícia descartou sua participação direta no homicídio e informou que ele será colocado em liberdade. A defesa de Cléber declarou que ainda não teve acesso completo ao relatório final da investigação e que só irá se manifestar após analisar todos os documentos.
A recuperação do vídeo gravado pela própria vítima foi considerada pela polícia o último ato da investigação e elemento fundamental para comprovar que o crime foi planejado. As imagens, segundo os investigadores, consolidam a tese de que a queda de energia pode ter sido provocada intencionalmente para atrair Daiane ao subsolo, onde o agressor já a aguardava.


