O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com uma petição na Justiça para tentar anular o livramento condicional concedido em janeiro de 2023 ao ex-goleiro Bruno Fernandes de Souza, condenado por um dos crimes mais brutais e emblemáticos da história recente do país. O pedido questiona a legalidade do benefício que permitiu ao ex-atleta deixar o regime semiaberto, sob o argumento de que nem todas as exigências previstas na Lei de Execução Penal teriam sido cumpridas no momento da concessão.
Para a promotoria, a suposta irregularidade compromete a decisão judicial e justifica a reavaliação do caso, com a possibilidade de retorno ao sistema prisional ou a imposição de regras mais rígidas de cumprimento da pena. Ele acabou perdendo o benefício após decisão da Justiça.
A iniciativa do MPRJ ocorre poucos dias depois de o ex-goleiro ter divulgado publicamente sua presença em um jogo do Flamengo, no Maracanã, na última quarta, 4, o que reacendeu o debate público sobre os limites e os critérios do livramento condicional em casos de crimes de extrema gravidade.
Bruno foi condenado em 2013 a 23 anos e um mês de prisão pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e ocultação de cadáver no assassinato da modelo Eliza Samudio. O crime, ocorrido em 2010, chocou o país pela crueldade e pela tentativa de apagamento da vítima: o corpo de Eliza nunca foi localizado. À época, a investigação apontou que ela foi morta após cobrar o reconhecimento da paternidade de seu filho, então um bebê, e que o corpo teria sido ocultado e destruído para impedir a identificação.

Após cumprir parte da pena em regime fechado e, posteriormente, no semiaberto, o ex-goleiro passou ao livramento condicional há pouco mais de três anos. Agora, com a manifestação do Ministério Público, a situação volta ao centro das atenções do Judiciário e da opinião pública, reabrindo feridas de um caso que permanece como símbolo da violência extrema contra mulheres no Brasil.
O Impacto na Família da Vítima
A história também deixou marcas profundas na família da vítima. Na época do crime, Sônia Moura, mãe de Eliza, vivia em Campo Grande (MS), onde criou o neto Bruninho Samudio até cerca de dois anos atrás. O jovem se mudou depois para o Rio de Janeiro para seguir carreira no futebol e hoje atua como goleiro das categorias de base do Botafogo.
Ele também integra a seleção brasileira de base e foi convocado no último dia 12 pela Confederação Brasileira de Futebol para um período de treinamentos na Granja Comary, em Teresópolis, entre 19 e 28 de janeiro. Em 2025, Bruninho conquistou a Liga Evolão Sub-15, sendo decisivo na final contra a Argentina ao realizar defesas importantes no tempo normal e defender um pênalti na disputa decisiva.


