
O Secretário Nacional de Segurança Pública (SENASP), Mário Sarrubbo recebeu em audiência na última terça-feira em Brasília a promotora de Justiça Ana Maria Magalhães, tia de Marcello Victor Carvalho de Araújo, morto no último dia 8 durante operação da Polícia Federal dentro da sua residência, em Belém.
Ana Maria informou que Sarrubbo foi atencioso e se comprometeu a agir dentro das atribuições da SENASP. “Pedimos que a secretaria apurasse com rigor a atuação dos policiais federais, já que há indícios de descumprimento da Portaria MJSP nº 855/2025, e verificasse se houve violação à dignidade da vítima. Também pedi que a secretaria oficie à PF para investigar o perfil @pf_gpi, que fez postagens ofensivas à família de Marcello”, disse a promotora.
A Portaria nº 855/2025 regula o uso da força por agentes federais, impondo princípios de legalidade, proporcionalidade e transparência, com foco em reduzir abusos e profissionalizar a segurança pública. A audiência foi acompanhada pelo promotor Manoel Murrieta, ex-presidente Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).
Delegado que conduziu operação afastado da investigação
Ana Maria ressaltou que um ponto de grande importância para a família de Marcello, foi a substituição do delegado que comandou a operação na casa da vítima da condição da investigador do homicídio. “Esse policial fez parte da operação e , portanto , não tinha isenção nenhuma para apurar a condição ilegal dos agentes”, justificou a promotora.
Ana Maria lembra que o delegado da PF que comandou a operação justificou o ingresso na residência da vítima sem ordem judicial por uma suposta orientação da corregedoria da PF. “Ocorre que até o momento esse policial não juntou ao autos nenhum documento que prove que existe essa recomendação. Até porque, se ela existe, é ilegal”, garante.
Caso repercutiu local e nacionalmente
Na operação os agentes da PF entraram no apartamento da escrivã da Polícia Civil Ana Suellen Carvalho de Araújo, mãe de Marcello, para cumprir um mandado de prisão contra Marcelo Pantoja Rabelo, o “Marcelo da Sucata”, que tinha um relacionamento com Ana, no âmbito da Operação Eclesiastes. Segundo a PF, Rabelo é suspeito de liderar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de capitais, com atuação em grupo de extermínio. A escrivã e o filho não eram alvos da ação.
De acordo com a versão da PF, Marcello se deparou com a equipe tática em um dos corredores do imóvel e teria avançado contra um agente, desferindo-lhe um golpe e tentado alcançar sua arma de fogo, e que, por isso, “houve reação imediata, com uso proporcional da força, fato que infelizmente ocasionou na morte”, segundo nota da corporação.
Vítima estava desarmada, diz a família
A família contesta completamente essa versão, alegando que a vítima não estava armada e não era agressivo, não representando qualquer ameaça aos nove agentes que realizaram a operação, fortemente armados, com coletes e escudos. Segundo Ana Suellen, os policiais federais teriam entrado no apartamento, perguntado o nome do seu filho. Assim que Marcello respondeu os policiais o teriam alvejado com dois tiros, morrendo no local.
A mãe de Marcello informou que mantinha um relacionamento “esporádico” com Rabelo e que nem ela nem o filho tinham envolvimento com suas supostas atividades. Para ela, os policiais podem ter confundido os dois, já que ambos se chamam Marcelo.


