A Promotora de Justiça Ana Maria Magalhães solicitou audiência com o Secretário Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo, para tratar das circunstâncias da morte de Marcello Victor Carvalho de Araújo, ocorrida no último dia 8, durante uma ação da Polícia Federal dentro da residência da vítima. A expectativa é que a reunião ocorre nesta segunda ou terça-feira em Brasília.
Ana Maria pedirá à Secretaria Nacional de Segurança Pública a responsabilização da equipe e da cadeia de comando da operação, o afastamento preventivo dos agentes envolvidos, e a verificação de conflito de interesses pelo fato de o delegado que chefiou a ação ter iniciado a própria investigação do caso.
“Queremos apresentar ao secretário as contradições entre as versões dos policiais envolvidos na morte e os fatos apurados, demonstrando que Marcelo Victor, que tinha porte físico pequeno, estava desarmado e surpreendido enquanto dormia, foi atingido por agentes fortemente armados e equipados, sem mandado judicial e em local sem rota de fuga”, antecipa a promotora, que era tia-avó da vítima.

A promotora proporá ainda a criação de um grupo interinstitucional de monitoramento, com participação do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério Público Federal e da Ouvidoria das Polícias, para garantir transparência, controle externo e prevenção de abusos em operações policiais.
“A morte de Marcello Victor não é um episódio isolado. É um teste sobre a capacidade do Estado de agir com legalidade e justiça. A verdade precisa ser apurada com independência e respeito às garantias constitucionais”, afirmou Ana Maria.
Vinculada ao Ministério da Justiça, a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) tem entre suas atribuições assessorar o ministro “na definição, implementação e acompanhamento da Política Nacional de Segurança Pública” e “coordenar as atividades da Força Nacional de Segurança Pública”. Com 34 anos de experiência no Ministério Público Sarrubbo, que é ex- procurador-geral da Justiça de São Paulo, é considerado “linha dura” na segurança.
Relembre o caso
Na operação os agentes da PF entraram no apartamento da escrivã da Polícia Civil Ana Suellen Carvalho de Araújo, mãe de Marcello, para cumprir um mandado de prisão contra Marcelo Pantoja Rabelo, o “Marcelo da Sucata”, que tinha um relacionamento com Ana, no âmbito da Operação Eclesiastes. Segundo a PF, Rabelo é suspeito de liderar uma organização criminosa voltada ao tráfico internacional de drogas e à lavagem de capitais, com atuação em grupo de extermínio. A escrivã e o filho não eram alvos da ação.
De acordo com a versão da PF, Marcello se deparou com a equipe tática em um dos corredores do imóvel e teria avançado contra um agente, desferindo-lhe um golpe e tentado alcançar sua arma de fogo, e que, por isso, “houve reação imediata, com uso proporcional da força, fato que infelizmente ocasionou na morte”, segundo nota da corporação.
Família contesta versão
A família contesta completamente essa versão, alegando que a vítima não estava armada e não era agressivo, não representando qualquer ameaça aos nove agentes que realizaram a operação, fortemente armados, com coletes e escudos. Segundo Ana Suellen, os policiais federais teriam entrado no apartamento, perguntado o nome do seu filho. Assim que Marcello respondeu os policiais o teriam alvejado com dois tiros, morrendo no local.
A mãe de Marcello informou que mantinha um relacionamento “esporádico” com Rabelo e que nem ela nem o filho tinham envolvimento com suas supostas atividades. Para ela, os policiais podem ter confundido os dois, já que ambos se chamam Marcelo.


